Eu demorei em escrever o post sobre Batman – The Dark Knight por um motivo simples, creio eu que óbvio para quem assistiu ao filme. De fato a atuação de Heat Ledger perturba e muito qualquer tele-espectador que consiga “encontrar” a mensagem por trás de toda a estória contada no filme. Não vou me atentar para atuações, vou levar este post para outro lado.
No meu ponto de vista the dark knight não foi só mais um filme de ação e suspense. Acredito que Christopher Nolan talvez não tivesse notado nos primeiros meses de filmagem o que ele havia criado, além de recriado a graphic novel de Frank Miler.
Ao tentar transferir a imagem do homem morcego dos quadrinhos para as telas baseado nas estórias do escritor, Nolan não só recriou o ar mórbido por trás da Gothan decadente, mas também, deu nova vida a um personagem que para muitos seria só mais um herói ou vilão. O que na verdade não é nem uma coisa e nem outra. Como bem disse o Junior no post abaixo, Batman não é um herói, ele é sim um combatente do crime, mas se formos analisar a sua real atribuição no combate ao crime, percebemos que ele é apenas um justiceiro, colocando sua própria vida em risco para defender aqueles que não podem ou se conformaram em não lutar mais contra as adversidades do cotidiano de uma grande cidade.
Batman surge em um tempo onde (vamos chamar de “governo”) o governo já não consegue mais controlar atos de criminalidade oriundos de diferentes nichos da sociedade, digo isso baseado na nossa realidade, pois bem sabemos que o crime é cometido em todas as classes sociais, dos banais aos mais bizarros. Este justiceiro de uma forma simplista nada mais é do que um cidadão que se cansa, mas até então não se envolver, talvez porque, da mesma maneira que nós mesmos costumamos ou fomos induzidos a achar, o crime nunca “alcançará os portões de nossas casas” e sabemos que isso cedo ou tarde (infelizmente) se torna NOSSA realidade. Quem é que nunca foi assaltado? Eu já fui, tive uma arma apontada contra a minha cabeça.
Mas isso em tempos onde toda essa discussão se tornou “comum” surge um homem, com idéias brilhantes, uma estória de vida arruinada pelo sistema e um motivo pouco fundamentado. O que nas palavras deste personagem é traduzido como “loucura” você pode chamar de “revolta” Mas atenção: Qualquer semelhança com a realidade em que vivemos é mera coincidência.
O Coringa (The Joker, que traduzindo na forma literal seria algo como “O Brincalhão”) é um homem perturbado, revoltado e muito inteligente. Este então decide usar o que tem (seu cérebro e um objetivo) para estremecer todo o sistema no qual vivemos com um novo tipo de crime, que tal chamarmos de “terrorismo”? Diferente de todos os outros criminosos de Gothan o Coringa não busca atingir um posto de poder, não busca criar um novo sistema ou muito menos dar início a uma revolução.
O que ele de fato deseja. Como disse o querido Alfred; – “Alguns homens não buscam fazer coisas por motivos lógicos, como ter dinheiro. Alguns homens apenas querem ver o mundo arder em chamas” e é exatamente o que ele faz. Com poucos barris de gasolina e algumas balas o palhaço vira Gothan de ponta cabeça e mostra a “nós” todos que os planos/cotidiano são facilmente abalados e que isso não faz parte da “normalidade”. Mas uma vez comparando com a verdade em que vivemos, pergunto: Desde quando um tal de PCC existe em nosso sistema? E desde quando vimos ações, no sentido de desmantelar esse grupo? Que, no meu ponto de vista é tão terrorista quanto à trupe de Osama.
O que o tele-espectador percebe no andamento do filme é que até mesmo o Justiceiro se cansa de tentar lutar contra algo/alguém que não tem princípios, regras e sequer respeita a vida do próximo. Somado, é claro, a falta de apoio daqueles que por motivos claros deveriam sim, como fez o promotor Harvey Dent colocar tudo em jogo e partir para a guerra, acabar de uma vez por todas com essa “fase permanente” em que nós (?) Ops, as pessoas de Gothan vivem. Mas tenham calma, ao contrário de Bruce Wayne, o Cadu não é milionário e muito menos perito em artes marciais e mais ainda!! Não quero inspirar ninguém a pegar os porretes, gorros brancos e pontiagudos e sair por ai fazendo justiça com as próprias mãos. Acredito que existam maneiras mais sutis e tão eficazes quanto a do promotor Harvey Dent do que um batmovel. Ou não!
O fato é que o filme em si deixa uma mensagem muito importante: Homens como o Coringa não são tão
difíceis de existir quanto um justiceiro milionário/mascarado e estamos tendo provas de que isso não está longe de acontecer.
Ou por acaso você que esta lendo este post já esqueceu um fatídico 11 de Setembro de 2001?
Isso tudo ocorre por trás de belíssimas atuações como a de Christian Bale (Bruce Wayne), Michael Caine (Alfred Pennyworth), Aaron Eckhart (Harvey Dent), Morgan Freeman (Lucius Fox), Gary Oldman (Jim Gordon), Maggie Gyllenhaal (Rachel Dawes). E claro o personagem que carregou o filme nas costas Heath Ledger que infelizmente veio a falecer meses antes do lançamento do que seria sua obra prima como ator. (Ainda farei um post só sobre Heath Ledger)
Para finalizar deixo o comentário de Rachel Dawes em resposta ao apoio de Dent aos atos do justiceiro mascarado – “O ultimo homem a ser nomeado protetor de uma cidade, foi agraciado com o poder para lutar contra a criminalidade, este homem nunca renunciou a este poder, e seu nome era César” (O imperador Romano); Em seguida Dent finaliza a conversa com a frase que talvez seja o grande clichê do filme – “Você morrerá herói, ou vivera tempo suficiente para ver você mesmo se tornar o vilão”?.


Realmente o post do Cadu é interessante mas venho a uma intrigante pergunta: Desde quando existe o interesse de se mudar alguma coisa?
Eu mesmo me dou o direito de responder, desde nunca. A miseria, a violencia e a falta de educação são um comércio no Brasil, ou melhor, uma industria. Pra que nos dar educação, saúde, e paz se um povo burro, doente e aflito é muito mais facil de ser dominado.
Discordo do Cadu no que diz respeito às armas. Sou fã do verdadeiro anti-herói, O Justiceiro, que ao ver sua familia ser destruida resolve se vingar pagando na mesma moeda. Mas os moralistas sempre dizem que não se deve pagar na mesma moeda, mas será que algum deles ja teve um filho assassinado? Tem um irmão viciado em crack? Perde horas na fila do SUS e morre sem ser atendido? Só quem ja passou coisas do tipo sabe o que sentir ódio, impunidade, e o pior de todos, FRUSTRAÇÃO.
Agora é a hora de pegarmos em armas sim, mas a nossa arma é a nossa voz. O povo tem que ser unir e apenas dizer não. Aposto com todos vocês que o governo não dura 1 semana se entrarmos em greve geral (digo geral mesmo!!)
O poder é do povo, só do povo!!
Vamos parar de se iludir!!
Pra quê saúde, educação, infra-estrutura, segurança publica e honestidade no senado se temos cerveja sempre gelada, praias linda, muito axé e muito sexo e ainda um futebolzinho no domingo a tarde na tv.
Chega de pensar assim meu povo…
“Nossa arma é a nossa voz” … Ok ok concordo mas, quem vai ser o primeiro a dar sua cara a tapa ? Acho que começa por ai…
Uma voz pode ser calada, seja pela corrupção, seja pela força. Enquanto não houverem idealistas como muitos já vistos na história (Ghandi, Martin Luther King, Nelson Mandela entre muitos outros) que inspirem confiança de seus seguidores, não haverá revolução. Mas, bem ou mal, estão havendo mudanças. Vejam o caso da Lei Seca. Não sei se todos se lembram, mas poucos dias antes havia ocorrido um fato absurdo de se liberar vendas de bebidas alcoólicas à beira das estradas, que na minha humilde opinião seria um belo convite para os ignorantes para se encher a cara e sair guiando por aí. Botaram a boca no trombone, a repercussão pegou tão mal que em 24 horas reverteram a lei. O mesmo caso para os cargos que seriam gerados pelo Senado, onde seriam gasto bilhões de reais para cargos de confiança. A nossa voz só poderá ser ouvida pela imprensa, que não sabe em qual lado do muro está. Acredito que estamos todos esperando nossos Batmans surgirem e falarem por nós.
PS: Cadu, parabéns pelo post.